Número 47, junho 2008
Transferência de Tecnologia>>Versão em português
 
         
 
 

Espaço de debate:

Avaliação integrada da inovação, da tecnologia e das competências na empresa

A nível internacional existem manuais para a medição das actividades da ciência, da tecnologia e da inovação, tais como o Manual de OSLO, o Manual de Frascati e o Manual de Bogotá, entre outros; que constituem um quadro homogéneo de referência para a elaboração das estatísticas oficiais, não obstante, a utilização no âmbito empresarial da informação que fornecem estes manuais não é uma prática habitual. O trabalho que apresentamos desenvolve uma metodologia para a avaliação integrada da inovação, da tecnologia e das competências no âmbito empresarial, suportada no ciclo PDCA (Planificar-Fazer-Verificar e Actuar), que inclui dentro da etapa de vigilância do meio envolvente o aproveitamento da informação que deriva dos Manuais citados. Dado que as características dos sistemas produtivos e da informação disponível em cada espaço económico, tornam inviável a concepção de um modelo de validação universal, caracterizaram-se os aspectos próprios da Europa e Ibero-américa. Para validar a metodologia desenvolvida aplicámo-la em mais de 200 empresas cubanas e bolivianas. Os resultados alcançados permitem uma fácil adaptação da metodologia a outros países.

Mercedes Delgado Fernández
Instituto Superior Politécnico "José Antonio Echeverría", CUJAE, Cuba

José Luis Pino Mejías
Francisco M. Solís Cabrera
Rosario del Carmen Barea Barrera

Universidad de Sevilla

A função de transferência tecnológica nas OTRIs

O termo transferência vem sendo caracterizado pela acepção tecnológica como se se tratasse de um binómio preestabelecido. Sem entrar em considerações básicas do significado ou alcance da actividade de transferir, este artigo trata de apresentar um quadro simples de reflexão sobre a transferência, para de seguida insistir na denominada transferência tecnológica, identificando diferentes vias que a desdobram. Não obstante, estas opções apresentam uma série de peculiaridades e impactos cuja compreensão se torna fundamental para promover certo tipo de objectivos, acima de tudo desde a perspectiva pública. No contexto da União Europeia, a ênfase na política de inovação conduz à identificação deste exercício de transferência tecnológica como um eixo vertebral das estratégias comunitárias nesta matéria com a finalidade de promover o retorno socio-económico do esforço em I+D. Neste sentido, aprofunda-se na análise da transferência tecnológica desde a óptica das Centros de Transferência dos Resultados da Investigação (OTRIs) como agentes chave no Sistema Espanhol de Ciência, Tecnologia e Empresa (SECTE), reconhecendo a importância de um modelo básico de processos, estrutura e indicadores e as opiniões vertidas por um importante colectivo destas centros.

Carlos Merino Moreno
Profesor UAM, Investigador IADE

Antonio Verde Cordero
Director OTRI FGUAM

Lidia Villar Mártil
Investigadora IADE

Novo Desenvolvimento da Funcionalidade através da Transferência do Conhecimento em Processos de Inovação Abertos

Face à recessão na década de 90 do século passado, a economia japonesa reactivou-se no inicio do nosso século. Este facto pode ser atribuído a uma gestão estratégica de carácter híbrido, como resultado de uma fusão entre Oriente (baseado, entre outros aspectos, na força indígena) e Ocidente (centrado principalmente numa aprendizagem global das melhores práticas), com uma estratégia global tecno-emprendedora. Esta estratégia aparece ligada a novas correntes na inovação que dependem do desenvolvimento da funcionalidade nos processos de difusão. Considerando a natureza decrescente na sua evolução, a sustentabilidade desta função é chave para a competitividade das organizações, a qual requer uma atenção antecipada no desenvolvimento da citada funcionalidade. Esta antecipação depende do processo de transferência do conhecimento através da substituição pelos seguidores do líder, que por sua vez aumenta o nível de desenvolvimento da funcionalidade. Esta substituição relaciona-se com o dinamismo promovido pelos processos de inovação abertos. Em consequência, o desenvolvimento da funcionalidade através da transferência do conhecimento deveria ser considerado decisivo para a competitividade das organizações em meios envolventes de inovação abertos.

Chihiro Watanabe
Professor, Department of Industrial Engineering & Management
Tokyo Institute of Technology (Tokyo-Tech)

Jae-Ho Shin
Department of Industrial Engineering & Management
Tokyo Institute of Technology (Tokyo-Tech)

Juho Heikkinen
Department of Mathematical Information Technology
University of Jyvaskyla


Sala aberta:

Novo regulamento de protecção de dados

No dia 21 de Dezembro de 2007, o Conselho de Ministros deu luz verde e, portanto, aprovou o novo regulamento de protecção de dados de carácter pessoal, que finalmente foi publicado no sábado 19 de Janeiro, pelo que, em Abril entrará em vigor o novo texto legal. O regulamento agrupa, regula e modifica determinados pontos contemplados na actual normativa de protecção de dados de carácter pessoal.

Efrén Santos Pascual

O grande telescópio europeu. Um desafio tecnológico

O Telescópio Extremadamente Grande (ELT) é um projecto conjunto promovido pelo Observatório Austral Europeu (ESO) com a intenção de conceber, estudar e desenvolver os conceitos e a validação de tecnologias necessárias para permitir a longo prazo a concepção e a construção de um telescópio gigante europeu de amplitude óptica e infravermelha, com um diâmetro inicialmente concebido entre 30 e 100 metros. O projecto baseia-se em estudos de concepção existentes e na experiência industrial e académica em áreas de interesse, obtendo recursos da academia e indústria europeia para um estudo preparatório sobre conceitos essenciais. O programa de desenvolvimento engloba aspectos relevantes para a viabilidade de um telescópio gigante. Por outro lado, o Instituto de Astrofísica das Canárias desempenha um papel importante na fase da concepção, incluindo os testes de controlo de qualidade óptica em telescópicos segmentados, avaliação das prestações de uma estrutura segmentada exposta ao vento, concepção de cúpulas e análise do efeito do vento sobre as mesmas e realização de campanhas a longo prazo para a caracterização das propriedades da turbulência atmosférica nos sítios de maior qualidade de ar, candidatos para a construção do telescópio. Neste sentido, o Observatório Roque dos “Muchachos” de La Palma é uma forte opção para instalar o telescópio.

Luis Borges

Gestão do conhecimento: percepções e contrastes das médias e grandes empresas na cidade de Bogotá

Em relação à gestão do conhecimento os investigadores interessaram-se por conhecer as percepções e os contrastes de opinião existentes entre os dirigentes das médias e grandes empresas localizadas na cidade de Bogotá. Este desejo surgiu, dizem, ao observar que em contextos de países desenvolvidos experimentado-se entre a classe empresarial o nível de compreensão desta disciplina, o que contrasta com o escasso conhecimento que temos das atitudes no nosso meio envolvente onde os trabalhos são incipientes e de pouca profundidade científica. Para ter essa abordagem à realidade, preparámos entrevistas pessoais com oitenta dirigentes, uma vez adaptado e reforçado o modelo que McAdam e Reid testaram nas empresas da região de Londres. Os resultados do trabalho demonstram de forma significativa que os termos usados na gestão do conhecimento (KM), expressados de maior a menor em função da percentagem, nas empresas grandes são: capital intelectual, transferência de conhecimento e tecnologia da informação. Ainda que para as empresas médias, a ordem resultante, de maior a menor, é: conhecimento organizacional, capital intelectual e transferência de conhecimento. Quanto aos eventuais benefícios da gestão do conhecimento em relação à dinâmica organizacional, as empresas grandes estão na melhoria de processos, seguida da inovação incremental e a concepção de novos métodos de gestão. Enquanto que para as empresas médias, com uma maior percentagem que as grandes, o beneficio está na melhoria de processos, a concepção de novos métodos de gestão, a inovação incremental e a concepção de novos métodos de marketing. Os resultados da sondagem também indicam que os principais impulsores do desenvolvimento tecnológico nas organizações são os seus próprios empregados, seguidos dos clientes, mas em menor proporção os agentes externos e os especialistas em tecnologias da informação.

Carlos Blanco Valbuena
Pontificia Universidad Javeriana

César Bernal Torres
Msc., Universidad de la Sabana